(O conteúdo deste blogue está sendo progressivamente encaminhado para http:\\poesiaerotica-montero.blogspot.com)
O sexo é o repasto que encerra uma longa caçada amorosa.
* * *
Finda a ceia ofereçamos mulheres
e charutos aos nossos convidados.
* * *
A mulher conhece dois modos de existência:
vestido e o despido.
* * *
Sexo é a posição desconfortável,
que o ser procura, obstinadamente,
para seu conforto.
* * *
O sexo mata a frescura da noviça
que, como os olhos de um bandido,
possui a tez, o brilho vicioso
de uma calçada gasta.
* * *
O sexo é inexorável.
Iniciada a empresa o retorno é impossível
e deverá concluir-se rapidamente,
como o assalto a um banco.
* * *
O sexo não se paga ou a mulher,
nem se pensa, porque não há sexo falso;
Apenas sentimos o veneno
que a mulher nos deposita em mente,
como substância em bebida.
* * *
À mulher se dedicam odes,
lavram versos,
gizam quadros,
elevam monumentos
ou erguem cidades,
se conquistam nações e esmagam povos
como presente de aniversário.
* * *
As mulheres são as desejadas da tribo,
as quais, inicialmente, se convencionou
que seriam por nós amadas;
mas que estávamos dispensados de o fazer,
porque sendo assim tão belas,
o seriam sempre,
tão naturalmente.
* * *
Os seios não são do corpo
a distância entre nós;
É a razão dos seios sobre o peito,
a vitrina e sombra que da mente
o sol deles faz e cai,
que se projecta, que nos perturba,
como a desmesura de cocos
suspensos de uma rosa.
* * *
Há o sexo fingido e o sexo pensado,
e o sexo real sobre cama ou estrado;
a choque de pés e mãos que, palpando, conquistam carne
e, em troca, devolvem beijos em morduras.
Batalhas repartidas, ganhas ou perdidas,
passos atrasados na direcção de um fim.
Finalmente, a vitória sobre um ponto sufocado,
por onde respira todo o ser amado.
* * *
Sentada és aflita
porque teu corpo te trai.
Teu corpo não te trai,
apenas te habita.
É a saia que sobe perigosamente
aproximando-se do bucal, a zona crítica;
é a maré a subir,
o rio a transpor os diques do olhar
e os limites a desaparecerem,
o olhar, a inundar a zona adstrita.
* * *
Vai triste e melancólico o velório da bela mulher.
Mais vazio, triste e melancólico que todos os outros velórios.
Apenas a ama e as criadas,
provavelmente, o jardineiro, o padre
mais algumas íntimas amigas
caminham ao lado da preta urna,
que contém uma bela mulher loira,
mas morta.
Mais,
ninguém compareceu!
Os outros,
todos aqueles que a copularam em vida,
que em vida até invertida a copularam,
não comparecem agora no funeral,
nem invertidos comparecem!